Cidade inova nas políticas de Assistência Social
Modelo é baseado no desenvolvimento comunitário, que substitui assistencialismo pelo protagonismo da comunidade
Yasmim Taha
A Secretaria de Cidadania e Assistência Social decidiu revolucionar a sua atuação no município, aliando o serviço prestado à população com atividades de desenvolvimento e mobilização comunitária, com o objetivo de ampliar e qualificar ainda mais a política de assistência social na proteção básica e evitar que o serviço se restrinja apenas às políticas assistencialistas e imediatas. Esta nova forma de condução da política de assistência social recebeu o nome de ‘Desenvolvimento Comunitário’ e incentiva que as pessoas se tornem protagonistas de suas próprias vidas e fortaleçam seus laços comunitários. O objetivo é oferecer ferramentas à comunidade para que ela possa desenvolver suas atividades de forma independente, seja para gerar renda própria, ou definir as melhorias necessárias aos bairros.
A metodologia de Desenvolvimento Comunitário é desenvolvida em três etapas. A primeira foi concluída recentemente e consistiu na realização de “Caravanas Exploratórias”, realizadas pelos três CRAS (Centros de Referência da Assistência Social) do Município. Cada um deles elegeu um bairro prioritário de sua região de atendimento e desenvolveu um questionário dirigido os moradores. As perguntas eram bastante variadas, com questões relacionadas às melhorias necessárias no bairro e sobre habilidades ou dons do entrevistado, além de informações sobre o número de pessoas da família, a renda mensal, as relações sociais, entre outras perguntas
O CRAS Norte, por exemplo, elegeu a Vila Real como um bairro prioritário para participar da pesquisa, mais especificamente a região da rua Ilha Bela e seu entorno. Os moradores aprovaram a iniciativa. “Achei muito importante ter um espaço para ser ouvida e para expor as necessidades do meu bairro. Nós que moramos no bairro somos as pessoas mais indicadas para saber a realidade do lugar”, diz a dona de casa Maria Luíza Santos, moradora da Vila Real há sete anos.
Ao lado de Maria, mora o professor Marco Antônio Custódio, que considerou as caravanas uma ótima oportunidade para a população exercer a cidadania. “Achei esse projeto muito interessante, pois permite que os moradores reflitam sobre os seus direitos e exponham o que eles esperam do poder público. Aqui no bairro, por exemplo, a prioridade é o saneamento”, avalia.
Através dos dados coletados, os CRAS vão trabalhar para identificar as potencialidades de cada comunidade, com o objetivo de incentivar em cada cidadão o desenvolvimento de suas “riquezas”, visando o desenvolvimento pessoal, familiar e comunitário. As necessidades de cada região também serão estudadas para nortear as políticas públicas de assistência social e, se necessário, serão indicadas diretrizes para as demais políticas sociais.
Com a conclusão das Caravanas Exploratórias, desenvolvidas em todas as regiões do município, a Secretaria organizará as próximas fases, que serão a de mobilização social e os projetos de intervenção. A primeira consiste na realização de assembléias com a participação dos técnicos das diversas secretarias, conselheiros municipais e da população em geral, para organizar os dados coletados e eleger as prioridades. Depois disso, serão desenvolvidos os projetos de intervenção e formadas as ‘Comissões populares dos CRAS’ que terão a função de acompanhar e ajudar na execução desses projetos.
De acordo com Giany Povoa, secretária Adjunta de Assistência Social, o objetivo da proposta é formar cidadãos protagonistas em suas comunidades, dando-lhes ferramentas para que eles possam, através de suas potencialidades, melhorar suas condições de vida. “Estamos dando um novo papel para a Assistência Social, que além de oferecer soluções imediatas para as pessoas, passa a incentivar a conscientização de que elas também têm o seu papel na comunidade”, diz, lembrando que esse projeto garante a sustentabilidade das políticas de assistência. “As pessoas se apropriam dessa política e essas permanecem para sempre, independente do governo vigente”, conclui.
As iniciativas do Departamento de Economia Solidária também fazem parte dessa nova proposta da Política de Assistência Social no município de Várzea Paulista.